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Patoenses relembram antigos carnavais 

Por Coordecom Terça-Feira - 16 de Fevereiro de 2010


Mesmo seguindo as tendências modernas do carnaval de rua, que acompanha a evolução da festa em todo o Brasil, a cidade de Patos não esquece os seus antigos carnavais pela força e tradição com o qual os patoenses se confraternizavam durante a festa de momo.

Segundo o patoense historiador e atual presidente da Fundação Ernani Sátyro, Romildo Sousa, o Bloco Zé Pereira que saía sempre na semana que antecedia os festejos de Momo, objetivando já incrementar na população local um clima festivo tinha grande repercussão.

“De substanciosa relevância naquele tempo também, era o Domingo do Entrudo, onde as pessoas ficavam se melando, jogando água e pó umas nas outras. O ex-deputado José Gayoso não deixava de cultivar, todos os anos, em seu casarão da Rua do Prado esta concorrida manifestação popular. Prática muito utilizada tempos depois pelos carnavais do mela-mela da AABB”, narra o historiador.

De acordo com Romildo Sousa, quando se fala da história do carnaval de Patos não se pode deixar de lembrar o Corso da Rua Grande. “Durante os carnavais não faltava ainda o corso, onde os automóveis eram bem ornamentados e as famílias ficavam desfilando pela cidade, usando lança perfume e promovendo uma verdadeira batalha de confetes e serpentinas de um veículo para o outro. O corso em Patos era realizado pelas avenidas Solon de Lucena, Epitácio Pessoa, contornando a Praça Getulio Vargas, passando pela Rua Pedro Caetano e voltando pela frente da Igreja de Nossa Senhora da Conceição”, explicou o historiador patoense.

”Com relação aos primeiros bailes carnavalescos, na década de 30, Patos teve o Grêmio Clube, que funcionava no prédio onde é hoje o Banco Real e pertencia a turma de Adelgício Olinto. Os participantes desta agremiação se congregavam também num bloco carnavalesco que se denominava “Vai quem pode”. Os “Satyros” também possuíam o seu sodalício e se chamava Patos Social Clube, instalado em plena Solon de Lucena, no prédio onde existiu a Loja de Evilásio Ayres Moura, vizinho a Ação Católica e que, ironizando o “Vai quem pode”, idealizou o seu bloco “Quem não pode também vai”.

Romildo relembrou ainda os blocos de sucesso a exemplo do “Sacarrolha”, “Com Jeito Vai”, “Bloco Popular de Zéu Palmeira” e o de “Zé Romão”. Além das escolas de samba que também marcaram época nos carnavais patoenses, não se podendo esquecer a Noel Rosa, Maracangalha e Piratas do Samba, esta última 8 vezes campeã dos carnavais da “Morada do Sol”. Tinham ainda as “troças”, formadas por palhaços, papangus e o famoso boi do carnaval.

“Os bailes carnavalescos também aconteceram no primeiro andar da Prefeitura de Patos e ganharam repercussão em todo o Estado com a criação do Patos Tênis Clube, onde a Orquestra de Hermes Brandão tocou por mais de duas décadas, encerrando sempre aqueles carnavais com a volta “Prova de Fogo”, na manhã da quarta-feira de cinza, onde componentes da orquestra e foliões circulavam a Praça Getúlio Vargas entoando a marchinha: Ó QUARTA-FEIRA INGRATA CHEGOU TÃO DEPRESSA  SÓ PRÁ CONTRARIAR!!!... 

E é com esse espírito de saudosismo e boa memória que os foliões patoenses relembram histórias do carnaval da Capital do Sertão popularizando a festa de momo mais animada do sertão, para que os novos foliões conheçam a história do carnaval patoense. (NR)

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