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Um grande aquário ajuda a melhorar o clima dando ar de paz e leveza à sala bem arrumada, com móveis, equipamentos de informática e materiais de expediente bem distribuídos, cada um pronto para cumprir sua funcionalidade, mesmo que nossa entrevista tenha interrompido por vinte minutos a rotina de funcionários com os famosos "pepinos" para o secretário resolver. Aos 43 anos esse campinense, que escolheu Patos para morar, recebendo inclusive título de cidadão patoense, nutre grande paixão pelos esportes, chegando ao ponto de sua esposa dizer que se houver campeonato de "porrinha" ele está lá presente, torcendo.

Pedagogo por formação, José Francisco de Sousa, mais conhecido por Zeca, militante do PT há 16 anos, já enfrentou o desafio de administrar a Secretaria Municipal de Saúde de Patos e agora mais um novo se apresenta, não menos importante, de comandar a pasta da educação, ambas consideradas os dois principais pilares de uma administração municipal. Espírita, diz que busca incessantemente a cada dia, melhorar como pessoa, com obstinação em transformar, em realizar seus sonhos. Nesse bate papo o secretário de Educação de Patos revela um pouco de sua história, ações e pensamentos.

Quem é Zeca enquanto ser político?

Sou petista há 16 anos. Sou petista do tempo em que o PT era um sonho para todos os revolucionários. Esse sonho foi machucado um pouco quando chegamos à administração. Também sei que o Partido dos Trabalhadores deu uma contribuição muito grande para este País. Continuo com o sonho, com a mesma determinação, e espero que a gente faça essa grande metanóia (mudança de mentalidade), sair de um partido que não fique nas margens do fisiologismo (busca de vantagens pessoais em detrimento do interesse público), mas um partido em que todos os brasileiros possam se orgulhar e dizer sou PT.

Como foi sua infância?

Foi muito saudável. Meus pais me deram a oportunidade de, como criança, vivenciar cada fase. Vivi minha infância em Campina Grande, mas repleta de criatividade, com as brincadeiras que fazíamos, das amizades. Ainda guardo amigos de infância e tenho certeza que chegamos a uma fase mais madura com lucidez porque tivemos uma infância muito forte, muito boa, muito promissora, tanto no estudo quando na questão ética e moral que a religião nos dá como suporte.

Quais são as paixões de Zeca?

Tenho como paixão principal a mudança do mundo. O grande valor que eu, minha esposa e meus dois filhos apregoamos é a vontade de viver num mundo melhor. Esse mundo melhor só se num processo de educação pudermos fazer com que ele aconteça, essa mudança profunda.

Foi secretário de Saúde de Patos, agora gerenciando a pasta da Educação. O que representa esse novo desafio em sua vida?

Realmente, quase dez anos lidando com a Saúde. Porém sou pedagogo por formação e sempre acreditei que a única maneira de se mudar uma sociedade é através da educação. No processo de educação, de transformação, vamos poder ter essa vida que falei anteriormente, melhor que o presente. Quando estávamos na Saúde lidávamos com vida em si. Ou seja, ou morte ou vida. Na Educação lidamos com gerações. A gente pode matar uma geração se não souber administrar hoje.

É esse intuito, de melhorar cada vez, todos os dias esse processo de educação para que a gente possa ter uma geração que se orgulhe do conhecimento, da instrução, da ética e da moral que está vivenciando.

Apaixonado pelo Campinense, como é essa relação com o clube do coração?

Campinense Clube. Antes de ser qualquer coisa sou raposeiro. Sou apaixonado com ética, que não briga, e sim que vibra. Gosto de esporte porque percebo que um dos pilares fortes da minha vida foi o esporte. É a questão da adolescência, do atletismo, do basquete que praticávamos. Isso foi base de formação importantíssima do meu caráter. Consegui com isso perceber a coletividade, que sem ajudar ao outro eu não consigo resolver meus propósitos, meus sonhos. Essa paixão a gente reverte também para o esporte, no caso o Campinense Clube, mas respeito muito os times de Patos. Quando estou na cidade vou a todos os jogos. O que gosto na verdade é a essência do esporte e não necessariamente das camisas. Porém quando o Campinense joga estou lá de raposeiro. Espero que nessa Série B nosso time possa reagir, se classificar, manter a Paraíba na Série B.

Qual sua visão de cultura, em particular a de Patos?

Eu vejo algumas pessoas desinformadas dizer que não cultura em Patos. Cultura nós temos. Talvez os movimentos culturais estejam adormecidos. Temos um bom número de atores, isso foi demonstrado recentemente numa oficina com um professor da UFPB, com mais de trinta participantes por noite; recentemente também exposição de poesias, escultura; encontro de violeiros, inclusive de violeiros evangélicos que nos visitaram e mostraram seu talento; grande variedade de bandas; artistas plásticos; grupos de danças; nossa Filarmônica 26 de Julho, patrimônio da cidade, com mais de 70 anos tocando para gente.

Nesses vinte dias vamos inaugurar a reforma da sede da Filarmônica, antigo mercado do Jardim Queiroz, onde conseguimos transformar os antigos boxes em salas de concerto. Temos um sonho que é termos um teatro, que deve ser construído aqui em cima da Secretaria e em breve vamos conhecer seu projeto arquitetônico. Já temos o coral infantil e agora vamos instituir o coral municipal, para o qual já existe maestro, com mestrado. Então temos que dar uma sacudida, incentivar as atividades culturais de nosso município. Correr atrás dos benefícios culturais.

O senhor disse que os movimentos culturais da cidade estão adormecidos. Seria falta de iniciativas do Poder Municipal ou puro comodismo dos produtores culturais?

É um somatório. Quando a instituição municipal não se faz presente o poder paralelo toma conta. O que quero dizer com isso? É preciso que o Estado (governo municipal, estadual e federal) como tutor e responsável pelos habitantes, se faça presente. Quando há abandono do Estado com nossos munícipes, se instala o processo paralelo: drogas, violência, corrupção. A gente divide esse adormecer com os agentes culturais, mas a responsabilidade a gente tem que tomar para nós, enquanto Estado. Temos que incentivar, mostrar a bandeirinha da cultura. Quando a gente mostra os caminhos muitos se agrupam para segurar essa bandeira e ir em frente. Temos que ir em busca dos incentivos culturais, a exemplo da Lei Rouanet para movimentar a cultura de Patos, ter um movimento mais presente.

Qual a música que lhe agrada?

Música Popular Brasileira e a instrumental. A instrumental rompe barreira da língua. É o som que traz harmonia para o espírito. A MPB tem todo um gingado diferente, essa coisa bem brasileira, o improviso, a flexibilidade das notas.

O senhor recebeu o título de cidadão patoense. Que avaliação faz dessa iniciativa do Legislativo?

Recebi essa homenagem como muito compromisso de continuar lutando pela cidade que me abraçou e que eu abracei. Costumo dizer que nunca tive dificuldade de viver bem em Patos, no sentido de ter amigos, de poder contribuir para uma cidade melhor. Esse título quero deixar como registro, principalmente para meus filhos, na história de dizer que aqui fiz minha cidade de morada. A gente não pode escolher aonde vai nascer, porém a minha vida foi destinada para que pudéssemos morar em Patos.

Como é a rotina de Zeca nas horas de folga do trabalho?

Não tenho uma vida social intensa, no sentido de estar em festas. Não bebo e nem fumo. Tem um movimento espírita que participo intensamente, com palestras, no trabalho voluntário no Lar Tio Juca, nos encontros que nós temos, e dessa forma meu lazer se torna minha religião. Além disso tem o esporte, que me encanta bastante.

Qual o principal problema do mundo contemporâneo?

O principal problema do mundo moderno é de ordem ética e moral. Conseguimos ir à lua, construir o telescópio Rublle, porém não conseguimos abraçar o irmão que está tão próximo; não conseguimos diminuir a fome do mundo; não conseguimos diminuir o drama do desemprego e da violência que bate no mundo. Temos muitas religiões e poucos religiosos; temos muitos conhecedores, porém poucos sábios. A gente conta nas mãos os grandes homens da humanidade. O que ta faltando na gente é essa percepção de irmandade. É resgatar para o católico o Francisco de Assis; para o espírita Chico Xavier; Irmã Dulce; pastores que surgiram em nível mundial que levantaram bandeiras contra racismo, violência, a opressão; precisamos desarmar as religiões no embate por fiéis, mas sim, armar-se de conhecimento, amabilidade, para num ato de união tentarmos salvar o planeta da falta de compaixão que temos para com o próximo.

A violência urbana lhe assusta?

Não, mas nos preocupa bastante. Temos nossos muros altos, estamos presos em casa. Se tirarmos nossas cercas elétricas seremos roubados. Portanto, quando essa violência bate em nossa porta então damos valor. Agora, porque damos valor? Porque foi atingido um de nossa família. Mas essa violência é fruto de um abandono anterior. Nós vemos crianças vendendo pedras de crack, na marginalidade pedindo um real para comprar cola para cheirar, para um lanche. Elas não tiveram direito à cidadania. Como é que vamos cobrar delas um ato de cidadão? Por isso é preciso toda uma metamorfose, uma transformação em que a gente possa dar um futuro digno a essas crianças. Mas não é um futuro amanhã, é hoje. Dizem com frequência que as crianças serão os homens do amanhã do Brasil, mas o que estamos fazendo na formação do caráter dessas crianças? Para você ver como isso é forte, no Município as escolas que tem por trás uma ONG são as mais bem sucedidas, em que os níveis de violência são baixos. Temos a Maçonaria, Lions, União Espírita Cristã, Ação Evangélica, Pastorais da Igreja Católica. Todas que têm participação dentro da escola, esta se torna diferente. Mas porque isso? Aliado ao processo de educação tem que haver o amor. Portanto a violência urbana é ausência do amor, de Deus, ausência da falta de um compromisso ético moral, fazendo com que haja pouca expectativa de vida.

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