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Filme “Água Barrenta” será exibido em Patos

Por Coordecom Quinta-Feira - 9 de Dezembro de 2010


Com direção e roteiro assinado por Tiago Penna, o filme curta-metragem Água Barrenta - patrocinado pelo FIC (Fundo de Incentivo à Cultura – Lei Augusto dos Anjos), e pela Energisa, será apresentado ao público de Patos, ainda esta semana. O curta tem duração de aproximadamente 18 minutos; e além do filme, será exibido também o making of e documentário sobre os bastidores das filmagens.

O filme Água Barrenta foi realizado em João Pessoa, e trata-se de uma ficção sobre a problemática das crianças de rua que são produzidas e ao mesmo tempo excluídas pela sociedade de consumo. O título – Água Barrenta – é uma alusão à exclusão social e afetiva enfrentada por estas crianças, que parecem representar uma espécie de classe “anti”-social. “Quando pensamos em "água barrenta", temos a imagem do sertão em seca, quando suas reservas de água potável se tornam insalubres”, explica Tiago Penna – diretor e roteirista do curta. Para ele, o filme se propõe a narrar o cotidiano dessas crianças de rua, que perambulam pelas ruas a fim de realizar o sonho de consumo do "boy", o amiguinho mais novo, e que faz aniversário naquele dia.

Tiago observa ainda que as diversas tribulações, típicas das ruas das grandes cidades brasileiras, enfrentadas por estas crianças, serve de pano de fundo para a trama do filme, que propõe ainda um olhar antropológico por parte dos espectadores para essa parcela da sociedade, enquanto se evidenciam seus futuros possíveis incrustados nesta situação. Com isso, o diretor tem o objetivo de propor um questionamento da atual conjuntura brasileira, e do papel de cada um de nós – cidadãos – perante esse quadro, que representa um verdadeiro flagelo social.

Quanto às opções estéticas, Tiago, que também é professor de Filosofia da Universidade Federal de Alagoas, afirma que o filme propõe revelar a miséria diante das mais belas paisagens, sejam elas naturais ou arquitetônicas. “Este mundo é muito colorido, mas há algo de poluído neste mesmo mundo que o torna acinzentado, como se os personagens fossem em preto e branco diante de um cenário exuberantemente colorido. Por isso uma das opções estéticas foi a de utilizar grafites e pichações como cenário do filme, além de obviamente haver uma referência a esta chuva de imagens e slogans evidenciada pela publicidade inerente de nossa sociedade, e pela massa sonora do filme, na qual existem poucos momentos de silêncio”, conclui o diretor.

As filmagens de Água Barrenta aconteceram em janeiro de 2008 nas ruas de João Pessoa, ocupando várias ruas e bairros da cidade. Com suporte e equipe técnica que não deve em nada às grandes produções cinematográficas nacionais, o filme foi produzido em parceria com a ABD-PB (Associação Brasileira de Documentaristas – secção Paraíba), além de contar com o apoio institucional da Funjope, UFPB e UFAL.

O curta metragem será exibido neste sábado, dia 11, às 19 horas, no Centro de Cultura Amaury de Carvalho (em frente à praça Edvaldo Mota), em sessão gratuita.

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