Imprimir Por Rodolfo André Sábado - 11 de Novembro de 2017

Aconteceu na noite da última quinta-feira, (9/11), no Centro de Cultura Amaury de Carvalho, o lançamento de livros e uma noite de autógrafos e recitais, por parte do poeta, professor e pedagogo recifense, Jorge de Azevedo, que pela primeira vez visitou a cidade de Patos.
Os trabalhos do poeta, se relacionam aos valores da arte, literatura e a poesia da nossa região e tiveram início na última segunda-feira, (6/11), quando foi ministrada a palestra: “Felicidade não tem idade”. No dia (7/11), o poeta visitou o Centro Dia do Idoso, onde aconteceu a palestra/oficina: “O Soltador de Pipa”, realizada na Secretaria de Educação do Município de Patos.
A noite de autógrafos foi prestigiada por servidores das secretarias de Educação, Cultura, Saúde e Assistência Social, tendo como parceira a facilitadora Ilva Lacerda, irmã do ex-prefeito Ivânio Ramalho, além das secretarias municipais.
Nesta quarta-feira, (8/11), pela manhã, foi a vez da palestra: “Estímulo e Crescimento”, realizada no Centro Pop e a tarde, enquanto à tarde, a palestra “A Droga na Adolescência”.
Para o poeta pernambucano, o sentido real das poesias é trazer a reflexão sobre os valores da vida e a verdadeira utilização do talento em benefício da arte e da cultura. “Despertar a criatividade a partir de nossas próprias experiências ajuda a buscar o verdadeiro sentido da arte, e associar este aos valores da vida” afirmou.
Na quinta-feira, (9/11), foi realizada uma apresentação bastante participativa, com a participação de convidados lendo poesias e crônicas de sua autoria e em seguida, a noite de autógrafos dos livros.
Também aconteceu o lançamento dos livros Tardes Serenas-Poemas” e “Os passos de um Poeta Solitário-Poemas”. A vinda do poeta a Patos se completa com atividades desenvolvidas no próximo dia 10 deste mês, no CRAS Severina Celestino, no Morro. Leia um dos poemas de Jorge de Azevedo, este relacionado a Patos:
Prece ao açude Jatobá
(Jorge Azevedo)
Onde está a água?
A água que é fonte,
fonte que é vida,
a água está... Onde?
Pedras largadas onde um dia,
corria o rio vazado do açude,
tentei encontrar o caminho da água,
encontrar seu caminho, não pude.
Nem mais mato seco havia onde o verde
cobria de vida a vida de tantos pescadores,
inclemente o Sol expulsou a fartura
deixando a imagem de uma foto de horrores.
Onde está a água?
A água que é vida,
da vida que é fonte
a água está perdida.
Na vasta planície morreram os peixes,
sem peixe choram os homens do lugar,
surgem os esqueletos guardados na água,
resta somente a passarela do açude Jatobá.
O rio está seco,
dele quem passa,
nem imaginam rio,
mais parece pirraça.
Até o velho juazeiro resistente à seca
não suportando a tristeza, adormeceu,
secou suas folhas, caíram os frutos,
de tanto sentir tristeza... Morreu!
Sobraram apenas os mais valentes,
no lugar ficaram os mais fortes,
o açude não desiste, deitado espera
chuvas que venham dizimar mortes.
Há esperança, rezam os idosos,
um dia a chuva chega em doce caída,
enche novamente o açude e alegra
este povo desesperançado de vida.
Enquanto espera, o que faz
essa gente de valor ímpar?
Pede à Menina da Cruz o milagre,
encher de água o açude Jatobá.
Patos, 11 novembro 2017
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